Frustração e desânimo

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Ultimamente, confesso, nem eu mesma estou me aguentando. A frustração e o desânimo tomaram conta de mim. Na semana passada, durante o trabalho, presenciei uma situação que “jogou na minha cara” o que acontece com quem tem privilégios e com quem não os tem.

Quem tem privilégios sai na frente. Quem não tem tais regalias, tem que se virar. É o famoso: “Quem pode, pode. Quem não pode, se sacode”. Basicamente, vi uma moça que, esposa de juiz de direito, está estudando há 3 anos para a magistratura, já passou da 2ª fase num concurso em andamento, e se inscreveu para um outro. Não trabalha, só se dedica aos estudos. Eu sei que estudar não é fácil (eu que o diga!), mas, convenhamos, estudar para concursos de alto nível requer dedicação exclusiva!

É o que tenho sentido nos últimos meses.

Por mais que eu me esforce, não consigo manter o ritmo. Acho que os percalços pra quem tem condições de estudar “full time” são diferentes e, de fato, existem. Mas, vamos lá, se a pessoa efetivamente estudar, já estará na frente de muita gente. Há uma infinidade de coisas para aprender; conteúdos programáticos gigantescos; fase atrás de fase. É muito esforço envolvido.

Eu já comentei antes que o meu sonho sempre foi magistratura, só que acabei desistindo porque existem barreiras demais e eu vejo ano entrando e saindo, e nada. Não estou há anos estudando. Nunca cheguei a estudar do jeito que deveria ser. Nunca consegui fazer isso. Nesse ritmo, eu sei que é impossível alcançar qualquer resultado expressivo.

Migrei para a área de procuradorias porque achei muito atraente e bem legal (e com menos obstáculos, se comparada à magistratura)! É realmente uma área interessante e igualmente erudita.

Todavia, continuo não dando conta.

Daí, quando me deparei com aquela moça, quase 10 anos mais jovem do que eu, linda, privilegiada, confiante e praticamente onde eu gostaria de já estar há pelo menos, sei lá, 3 anos, fiquei triste. Triste. Muito triste. Embargada. Eu tive que segurar muito o choro. Disfarçar pra que ninguém notasse o quanto eu estava frustrada e desanimada. Eu não senti inveja. Eu senti tristeza mesmo. Tristeza por mim. Sim, acho que me vitimizei. Envergonho-me disso, mas foi/é inevitável.

Eu sou um ser humano e eu sinto. E é isso aí. Eu não posso me dar ao luxo de pedir exoneração e me dedicar 100% aos estudos. Não posso pedir licença porque não guardei o suficiente para me manter por, pelo menos, 3 anos sem salário mensal (sem contar a dificuldade para poder conseguir um deferimento do pedido). Tenho um exército de bichinhos em casa que dependem de mim. Simplesmente não dá.

Eu quero continuar tentando fazer limonada com os limões que a vida está me dando, porém… Estou muito tentada a desistir.

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