Praticar exercícios físicos é algo de que me arrependo muito de não ter começado mais cedo.
Estudos e exercícios físicos andam de mãos dadas. Experiência própria: estudar sem fazer exercícios físicos, a longo prazo, não vale a pena. Eu percebo uma diferença colossal em mim mesma da época em que eu era bem sedentária para agora, que me exercito regularmente.
Note: eu não sou profissional da área da saúde e não pretendo dar palpite numa área em que sou totalmente leiga. Mas, empiricamente falando, posso dizer com toda certeza: exercitar-se é preciso.
Há alguns anos eu estava em constantes crises de distúrbio alimentar. Eu tinha vários episódios de compulsão alimentar e de bulimia. Foram anos turbulentos. Eu só comecei a melhorar após anos de tratamento multidisciplinar. O gatilho principal era a dificuldade de estudar. Sim, eu sempre tive problema com procrastinação e coisas do gênero. Sempre tive dificuldade com atividades “pouco divertidas”. Sempre fui uma “viciada em dopamina”. E sempre tive muito pouca resistência em me “sentir mal”. Já tinha recebido orientação médica para fazer exercícios físicos puxados, mas, claro, eu nunca fui fã de educação física. Então sempre relutei muito.
Esse ano vai fazer 2 anos que estou com um personal trainer. Faço musculação 3 vezes por semana e, sempre que posso, corro na esteira. Antes do personal, eu frequentei uma academia de que eu gostava muito e tive uma ótima constância, mesmo sem ter um professor do meu lado 100% do tempo.
Confesso que DEMOREI MUITO para pegar gosto por musculação. E também digo que foram ANOS E ANOS até eu chegar no ponto em que estou agora, de conseguir fazer exercícios físicos toda semana (inclusive nas férias).
Acho que o que mais ajudou pra que eu me mantivesse firme na academia foi a preocupação com a minha saúde. Ou seja, quando eu me preocupava com a estética, eu sempre me sabotava e nunca conseguia ir pra frente. Quando eu percebi que sem saúde eu não conseguiria mais nada e que ser saudável era muito mais importante do que qualquer outra coisa, comecei a ficar mais motivada.
Houve um tempo caótico em que eu tive que começar a viajar todos os dias pra trabalhar e não aguentei conciliar com a academia (aquela que eu gostava e ia sem personal trainer). Depois de alguns meses, eu percebi NITIDAMENTE o declínio do meu bem-estar. Óbvio que as viagens diárias influenciaram muito nesse declínio, só que eu também notei a volta sorrateira do descontrole emocional (não como antigamente, porém era só questão de tempo pra que piorasse mais e mais).
Mesmo depois que eu consegui remoção para trabalhar perto de casa (o que levou “mais de ano”), ainda fiquei um bom tempo sem praticar atividade física. Foi ganho de peso e descontrole emocional “a rodo”.
Finalmente, num certo momento o meu marido começou a fazer aula com um personal trainer e ele estava gostando muito. Resolvi tentar também e estou até hoje. E foi a melhor coisa que eu fiz, não pretendo parar. Já passei por vários maus bocados e continuo firme e forte. Fico triste às vezes com os problemas da vida, mas não me descontrolo com a comida. Fico chateada quando não consigo estudar, mas continuo seguindo em frente sem me abalar a ponto de me descontrolar com a comida também.
E outra coisa: com os vários meses a fio me exercitando, fiquei muito mais diligente e resistente à dor. Não só à dor física, mas também à dor emocional. Dói. Todavia, continuo até o final. É engraçado e curioso. Não sei explicar sob o ponto de vista médico, só sei que é algo mágico, muito bom mesmo. Não o fato de sentir a dor, claro. Falo da superação. É muito bom o sentimento de superação. O sofrimento é diário, evidente; no entanto, você atravessa mais um obstáculo. Sabe aquele esporte de atletismo que a galera vai correndo e pulando aqueles obstáculos até chegar na linha de chegada? É tipo isso. É legal!
Por isso, digo a vocês sem medo de errar: deem uma chance pros exercícios físicos. Tentem achar uma atividade de que gostem e se mantenham firmes nela. Começar é sempre a parte mais chata, mas depois que você pega no tranco, o corpo só vai. Vocês vão perceber benefícios a longo prazo, que é o que realmente importa. Não vale a pena sacrificar a saúde por um concurso público ou por qualquer outra coisa. Tentem do jeito que der e que couber no bolso: fazer em casa, ir junto com algum amigo, procurar um professor particular, achar uma academia legal, seja lá o que for. Eu tentei várias coisas antes também. O que não pode é “largar mão” e desistir. Insistam e verão como é bom!